Yo hablo castechano

09/06/2010

Viver em outro país, falando – pensando – em outro idioma é o tipo de experiência que faz qualquer aluno das escolinhas de Comunicação compreender perfeitamente o que os professores tentam ensinar. Quem quer dizer algo, quer dizer para alguém. Para que esse alguém te comprenda, é necessario que Quem fala/escreve pense e saiba COMO fazer isso. Por que se não… No way.

Por uma questão de sobrevivência… de fábrica, nós saimos equipados para nos comunicar com as pessoas ao nosso redor. O bebê chora pra que não morra de fome, de dor, de frio, de solidão… Depois, as necessidades aumentam e é útil ampliar as possibilidades de subsistencia. Então, aprendemos a falar. A escrever. A falar e escrever de forma adequada para cada situação. Somos introduzidos as essas novas situações, e por uma questão de sobrevivência, mais uma vez, nos adaptamos.

Quando eu cheguei à Buenos Aires, já havia feito por algum tempo aula de espanhol. Mas a falta de uso por uns bons anos, fez o portunhol se adormecer. Entretanto, chegar em terras portenhas, e mais uma vez, a necessidade de sobrevivencia despertou meu espanhol rapidinho. Pero… por estratégia, abandonei o “Djo” – a pronúncia do “Yo” no espanhol da Espanha, que é o ensinado no Brasil – por um “Xo”, com o sotaque portenho. E um “vos” sem-vergonha… no lugar do ‘tú’ mais usado no restado da Latino América.

Apesar de ser muito fácil para brasileiros viver só entre brasileiro, decidi desde o principio conviver só com hispanohablantes (o que não significou “só com argentinos”). No fim, minha maneira de pensar em espanhol  era uma mistura de colombianês com uma pitada de Xiii… Em 2009, quando comecei a estudar de VERDADE, deixei o argentinês me invadir. Aí… já era “Sabes? El tipo… Que se yo?” E sem me dar conta, eu estava sonhando em espanhol.

Nas minhas aulas de português, uma das coisas que eu sempre me esforço para acabar com a idéia de que saber brasilerês, não é poder traduzir todas as palavras. Oxalá fosse tão fácil. A semelhança entre os idiomas é óbvia, mas a maneira de pensar é outra. A escolha das palavras, ainda que existam nos dois idiomas, tem hierarquizações diferentes. Eu posso “crer” em português, mas geralmente “eu acredito” ou “eu acho”. Eu posso “pôr” algo sobre a mesa, mas normalmente, os brasileiros “colocam”. E quando eu digo que eu já não falo mais portunhol… los hermanos no me creen.

Aprender um novo idioma é voltar a ser criança. É ter uma idéia exata de como foi nosso processo de aprendizagem, ainda que obviamente, o tipo de conexões que eu faço hoje, já não são as mesmas de outrora. O repertório de cada um influi na manera de receber a mensagem. E da-lhe teorias da comunicação guéla abaixo! \o/ Mas é a chance de voltar a um “primitivismo” comunicacional… apelar aos gestos… às onomatopéias… ao uso de 20 palavras para exprimir UMA. É saber que você corre o risco de dizer algo ridículo, ou… herm… inapropriado. Dar aquela “garfi”. É voltar a falar como uma criança aos 20 anos de idade.

Mas néam… é também a chance de ser “exótico”. E isso, benhê, tem também seus proveitos.

*Em homenagem a Cerati:

Cerati – Puente

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Una respuesta to “Yo hablo castechano

  1. Luiza Goulart said

    Soh 20 anos?! kmassim?ahauhau
    Miga, ler seu texto me deu ainda + vontade de te fazer uma visita e estudar aí por uns 3 meses..auahau eae ainda tá com quarto vago no apê?ehhehe Bjoks,
    Lu

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