Mis Buenos Aires

26/10/2009

Estrangeiros sempre estão entre estrangeiros… Esta é uma regra que funciona em Buenos Aires** da qual eu não sou uma exceção. A explicação é óbvia, porém, vai mais além da identificação com o sentimento de ser o “outro” em uma nação… não compartilhar os mesmos costumes… passado… o idioma… ou freqüentar os mesmos lugares… e lalala.

Nós, os estrangeiros de Buenos Aires, somos uma classe de pessoas que por alguma razão decidiu que era hora de uma mudança brusca em suas vidas e de seguir um novo – e desconhecido – caminho. Um caminho que definitivamente não era o mais fácil… Porque não é simples entrar em um avião e ver as pessoas que você ama ficarem pequenininhas até não poder ver mais. Não é fácil saber que você não estará presente em momento importantes e que a saudade será um sentimento constante. A coisa fica muito menos agradável no campo profissional. Como explicar racionalmente que ao invés de estar trabalhando em seu país, você quer tentar algo novo? Acrescente aí, o agravante de que em outro país é muito difícil para um estrangeiro continuar trabalhando em sua própria área, a menos que você já fosse um garçom… ou um cozinheiro… Se você é jornalista então (alguém que a linguagem é o principal instrumento de trabalho), e escolhe um país de idioma diferente, como garantir para um jornal que você é a pessoa mais qualificada para uma vaga? Tanta coisa para colocar na balança, enquanto todos te cobram certezas sobre as quais você não possui nenhuma.

Entretanto, o que depois faz com que estas pessoas saiam de suas terrinhas e terminem se juntando em Buenos Aires é também uma identificação, mas justamente com esta falta de certeza sobre o futuro. Nós, estrangeiros, não somos exilados. Não é exatamente um sacrifício estar em Buenos Aires, como se pode imaginar. Estamos aqui porque queremos estar, porque o que havia em nossos países não nos realizava, porque as escolhas mais óbvias não nos interessavam. Atrás do glamour que tal explicação pode apresentar para alguns ou causar repulsa… enfim  está o simples fato de que não existe uma fórmula para viver a vida. O que traz felicidade para uns, pode não representar o mesmo para outros. Nem todo mundo precisa mudar de casa… de país… para finalmente, encontrar-se.

Eu não tenho filhos, não tenho plantas, tenho quem cuide de minha cachorrinha, e um respaldo financeiro. Sou consciente que tenho uma oportunidade que nem todos tem. Mas existe escolhas menores que estão ao alcance de qualquer um e que igualmente resultam em grandes mudanças. Minha primeira pequena, porém, importante escolha foi dar-me o direito de desejar algo diferente. O conceito do projeto Buenos Aires só chegou anos depois e a compreensão de o quê eu realmente esperava deste novo lugar demorou mais ainda. Mas tudo é um processo que alguém só pode chegar ao fim, se um dia decide começar-lo.

Falar assim faz parecer que eu quero parecer A rainha da moral, eu sei. Mas garanto que não é beeeem assim. Hoje, eu ainda não tenho grandes certezas, não tenho um trabalho (nem na Argentina, nem no Brasil)… Não tenho um namorado… rs. Por muito tempo não criei coragem de assumir minhas escolhas, e isso demorou para mudar, mesmo já estando aqui (porque não é fácil assumir “estou fazendo de tudo para ser feliz”, sem soar um pouco egocêntrico e alienado). A verdade é que tudo que tenho no momento é o orgulho de estar correndo atrás de um sonho, mesmo sabendo que estou apenas no inicio da jornada. Mesmo sabendo que ainda vou encontrar muitos buracos pelo caminho. Mas não tenho dúvidas que até agora, tudo valeu a pena. Façam vocês também suas pequenas revoluções!

**Uma teoria parecida existe para os malditos jornalistas, e eu posso atestar que é verdade. Jornalistas sempre estão com jornalistas… em qualquer parte do mundo.

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2 comentarios to “Mis Buenos Aires”

  1. Lu said

    Só espero que você encontre a felicidade onde quer q vc esteja e que realize o seu sonho..:) bjokas

  2. Tham said

    fica a dica.

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