Início da História

19/10/2009

Ela acordou com a impressão de ter escutado o barulho de uma batida de carro. Não tinha certeza, mas ficou prestando atenção nos sons da rua que escalavam os quinze andares de seu prédio e entravam pela janela. Ainda deitada, observou em silêncio o barulho dos carros, dos ônibus, das crianças, de mais carros… E não encontrou nada excepcional que pudesse confirmar sua teoria. Então, veio a sirene de uma ambulância. Foi o suficiente para que ela começasse a construir todo o cenário.

Imaginou uma fila de carros que se iniciava calmamente. Os motoristas, a caminho do trabalho, buzinavam enquanto internalizavam sua raiva pelo atraso e a curiosidade de saber o que aconteceu. Do lado de fora, um grupo de pessoas se aglomerava e quase não se podia ver os carros envolvidos. Era impossível definir se havia feridos ou quantos eram.

Alguém faz uma ligação pelo celular e tenta avisar a polícia. Ou tenta avisar o pronto-socorro? De quem era realmente a sirene que chegou instantes atrás? “Se eu tivesse que ligar para alguém – ela pensou – certamente, ligaria primeiro para os para-médicos!” Porém, ponderou em seguida, que a apenas algumas quadras do edifício, existia uma guarda – ou seja, a polícia poderia chegar em pouco tempo. Uma vez avisada, seria óbvio que a própria polícia solicitasse os para-médicos. Logo, não seria necessário que passado alguns minutos, alguém seguisse pedindo socorro. A menos que… Fosse um acidente muito grave e as pessoas não pudessem mais agüentar a angústia e a ansiedade.

janela Ela decide levantar e ir olhar pela janela. Pisando em alguns papéis sobre o chão, abriu os vidros, e por medo da luz do dia que invadia o quarto, levantou a persiana sem pressa. Ainda com o incômodo nos olhos, viu surgir aos poucos as janelas brancas do apartamento da frente, e logo, olhou para baixo.

Viu, então, o fluxo intenso e continuo dos carros em Paseo Colón, sem a presença de carros de polícia ou ambulância que havia imaginado. Não satisfeita, deixou seu olhar seguir em busca de qualquer indício por mais algumas quadras além da avenida. Chegou até ao Puerto Madero e ao rio cor-de-café, mas aparentemente, nada havia acontecido por ali.

Um pouco constrangida por seu exercício de imaginação, ficou em dúvida se voltava para cama ou aceitava começar o seu dia. Pensou que se ela fosse uma personagem de relato de ficção, todo o sucedido naqueles instantes serviria para anunciar que algo excepcional aconteceria neste dia. Algo bom ou ruim, sem que ninguém pudesse prever com antecedência.

Sem ter idéia de que horas eram, procurou o relógio para saber que eram oito em ponto. Nem um minuto a mais, nem a menos. Por fim, como já não era tão cedo, ela decidiu que era hora de acordar, vestiu-se de desperta e foi fazer um café.

Patrícia Alcântara

*O fato de narrar algo em 3ª pessoa me permite usar recursos que um relato real, para ser verossímil, não me permite. Ainda que tenha consciência da minha atitude escapista, não consigo evitar que a ficção seja mais interessante que a realidade.

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4 comentarios to “Início da História”

  1. Lu said

    Ao ler o Ela na primeira linha jah imaginei q vc estava falando d vc mesma..ahbuahauh:P
    bjkas quérida!
    obs: Tô com Rubéola..com febre desde quarta-feira..ehehe

  2. Mário said

    Muuuuuito mais estranho que a ficção.

  3. Diana said

    Y la hora, eso de ver el reloj justo a las 8 fue de verdad?? Me gusta esto de q escribas en tercera persona porque me genera la sensación de q estoy entrando “con permiso” a tu vida, jeje, bueno, a la q parece q es tu vida. Voy a hacer el ejercicio del guión, ya estoy identificando el inicio pAtri.

  4. Tham said

    Assim, em terceria pessoa, meu corazoncito se aflige ainda mais…
    Se até você se observa pelo lado de fora, imagine só a distância entre nós!
    mimi.

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